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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos
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Fiapo de Jaca


NOVA CASA

www.fiapodejaca.com.br.

 

Pra mais detalhes, ler o post abaixo.



Escrito por Tuca Hernandes às 01h50
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WWW.FIAPODEJACA.COM.BR


Antes de qualquer coisa, a culpa é do Rodrigo Ghedin. Há tempos leitor desse blog, ele acabou me convencendo que eu deveria ter um endereço no estilo www.algumacoisaqualquer.com.br, num sistema de postagem bem mais dinâmico que esse aqui do UOL Blog. Folgado e espaçoso que sou, deixei que ele fizesse quase tudo - uns 93% - pra que isso fosse possível. E agora, como um felizardo que está de mudança do seu quartinho de cortiço pra uma cobertura a beira-mar, posso dizer enfim que meus textos passarão a morar no www.fiapodejaca.com.br.


Aproveitando a ocasião, cabe aqui um parágrafo sobre o Rodrigo Ghedin. Esse rapaz, além de provocar a revitalização de blogs alheios, tem o dom de escrever muitíssimo bem. Ele possui um texto que, tanto no conteúdo quanto no estilo, impressiona pela qualidade. Uma sobriedade que desconcerta ainda mais o leitor quando se descobre que o autor tem apenas 19 anos. Resumindo, uma espécie de rapaz-prodígio, sem dúvida alguma. Quando eu tinha a idade dele, tudo que eu conseguia escrever eram textos aborrecidos e pessimistas sobre o que eu não tinha. Produtor de literatura aborrescentista. O Ghedin é um leitor que acompanha praticamente desde o início os textos daqui, o que de certa forma serve como um elogio e tanto pra mim. Enfim, vale sempre dar uma conferida lá no blog dele: www.rodrigoghedin.com.br.


Então é isso. Minha fase aqui no UOL Blog acabou. Não estranhem se as coisas mudarem quase todos os dias lá no outro endereço, na cobertura a beira-mar. É que o sistema onde o novo blog está hospedado – chamado Wordpress – permite tantas intervenções no formato e ferramentas que fica difícil não testá-las. Enfim, ainda estou me adaptando ao novo esquema.


O negócio é agora é www.fiapodejaca.com.br. Espero vocês lá.


Ps1: Ah, e o Ghedin, além de tudo aí mostrado acima, é de certa forma o responsável por eu ter conhecido a minha namorada-cúmplice-companheira, Patrícia. Mas deixemos essa história lá pro outro espaço, ok?

 

Ps2: o visual (template) lá do novo endereço foi feito (ou melhor, está sendo feito) por mim. Ferramentas idem. Não pensem que o Ghedin, fera nesse assunto, seria capaz de botar no ar um troço tão relaxado quanto aquele, ok?



Escrito por Tuca Hernandes às 01h41
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A SÍNDROME DA PRÓXIMA GRANDE MANCHETE




Há um bom tempo atrás, pré-internet, para mim bastava dar uma olhadela de manhã na Folha de São Paulo e, mais tarde, engolindo a janta, conferir notícias mais atualizadas pelo Jornal Nacional. Isso sem falar da digestão semanal via revista Veja, responsável para análises, digamos assim, mais profundas. E pronto, era o que bastava para me tornar um cidadão ciente do que se passava mundo afora. A santíssima trindade da informação na minha era neandertal: Veja, Jornal Nacional, e a Folha de São Paulo (às vezes, o Estadão também). Amém.



Hoje, com esse troço chamado Internet, além de olhar com muita desconfiança para o que é exibido nas páginas da Veja e na tela do Jornal Nacional, posso buscar outras fontes de informação, na linguagem que eu quiser, atualizando-me minuto a minuto. Que maravilha, não? Que nada! Como tantas pessoas com computador disponível na maior parte do dia, me tornei um escravo da informação fresquinha. Nesse exato momento em que escrevo essa frase, estou com uma vontade danada de acessar a página do UOL para ver se algo de novo e interessante aconteceu nos últimos dez minutos, tempo do meu último acesso. E, depois dessa minha última frase, segundo consta no UOL, descobri que nada de fantástico aconteceu nos últimos dez minutos...



Sofro da Síndrome da Próxima Grande Manchete, aquela onde sempre ficamos na expectativa de saber antes de todo mundo do grande fato. Nesse sentido, a Al Qaeda tem sido bastante participativa - mesmo quando não consegue ir adiante com um plano, como aconteceu em Londres, dias atrás. Quero saber se alguém que jamais imaginei morto acabou de bater as botas. Se aconteceu, uma hora atrás, mais uma tsunami. Se noticiaram, nesse momento, alguma escândalo cheio de provas capaz de destronar o presidente ou algum outro figurão. Enfim, qualquer coisa que promova um olhar arregalado frente ao computador.



Dessa maneira, o Jornal Nacional é atualmente para mim apenas um veículo que confirma ou distorce aquelas notícias que vi com mais detalhes em alguns sites por aí, ao longo do dia. O jornal impresso, pela manhã, nada mais do que um monte de papel com notícias velhas, ainda que valha a pena por um ou outro colunista aparentemente sem rabo preso com alguma ideologia ou corporação. E a revista Veja... bem... deixa pra lá. E, na meia hora em que resolvi escrever esse texto, nada de mais aconteceu no Planeta Terra. Nem uma explosãozinha, um desastrezinho, uma mortezinha de impacto... Mas, quem sabe agora, nesse momento? Será??? Deixa eu ir lá no UOL ver...



Escrito por Tuca Hernandes às 16h31
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Fiapo de Jeca  (clique aí...)

Escrito por Tuca Hernandes às 08h14
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MEU FIO

 

Existem pessoas que são incapazes de chamarem os outros pelo nome. Assim, inventam apelidos para todos, ignorando aquilo que está no RG. Muitos usam apelidos genéricos, fazendo com que todos virem “chefe”, “amigão”, “lindo”, “linda”, dentre outros. É o caso da mulher que vem fazer faxina na minha casa. Até hoje, ela vivia me chamando de “meu filho”. Ou melhor, “meu fio”. Dias atrás, no começo do serviço, ela até chegou a me pedir autorização para falar assim comigo, pois era uma forma carinhosa de se dirigir a mim. Apesar de estranhar tamanha afeição de mãe postiça, eu disse que tudo bem, que cada um fale como quiser, etc.. Imagina. E assim, começou o festival de “meu fio”.

 

Ao conversar comigo, toda e qualquer frase formulada por ela tinha “meu fio”. Ela soluçava “meu fio”, feito um tique nervoso. O meu fio vai almoçar? Meu fio viu que absurdo esse PCC? Ó, ligaram pro meu fio. Que frio, meu fio! Esquentou né, meu fio? Boa sorte, meu fio. Oi, meu fio. Tchau, meu fio. Nesse ritmo, como eu suspeitava desde o início, isso começou a me incomodar. Cada meu fio que eu ouvia, vinha aquela vontade danada de censurá-la, feito um filho revoltado.

- Não sou seu filho, porra! – mentalmente e silenciosamente, eu protestava.

 

Hoje, prestes a protestar claramente e em viva voz, resolvi abrir o jogo, logo após o enésimo meu fio da manhã:

- Cida...

- Oi meu fio, o que foi?

- Bem... lembra de quando você me perguntou se eu me incomodava ou não de você me chamar de “meu filho”?

- Lembro sim, meu fio.

- Então, preferiria que você me chamasse pelo meu nome, pode ser?

- Tudo bem, eu não sabia que isso tava incomodando o meu fi.. quero dizer, você.

- Não é nada pessoal. Mas já que você tinha perguntado antes, resolvi ser sincero com você, tudo bem?

 

Mesmo com essa conversa, o hábito a fez me adotar, sem querer, por mais umas três vezes. Não vai ser fácil pra ela, imagino. Sorry, mainha...  



Escrito por Tuca Hernandes às 12h16
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HITLER E O PATO DONALD

 

Há quase 70 anos atrás era fácil eleger o inimigo número 1 da humanidade: Hitler. Difícil imaginar alguém que rivalizasse com ele, pelo menos no quesito quase-unanimidade. Hoje em dia, quem é o candidato a anti-cristo? Não existe. A maldade ficou pulverizada, espalhada por aí, gente à beça fazendo das suas, sem um candidato a ícone eterno. Decerto que um ou outro se destaca, vilão ou herói dependendo da ideologia julgadora, mas ninguém chega perto do que representou um Hitler.

 

Dessa forma, seria difícil imaginar nos dias de hoje um desenho animado como o que deixo ao fim desse post pra vocês assistirem. Nele, temos o Walt Disney ridicularizando abertamente o Hitler, através do Pato Donald. Isso mesmo. O You Tube, que é segunda maravilha da Internet (a primeira é o Google, é claro), conseguiu reservar isso pra gente. Ao ver esse desenho - que jamais foi exibido pro grande público - me lembrei do filme “O Grande Ditador”, onde temos o Chaplin naquela antológica cena do ditador brincando com o globo terrestre inflável, na ridicularização mais inteligente e charmosa que alguém já fez sobre o Hitler. Seja lá como for, ver o Pato Donald dizendo “Heil Hitler” já é em si uma das maiores gozações que o ditador poderia receber. Eu pelo menos gargalhei em muitos trechos. Pena que o fim do desenho descambe pro patriotismo americano desembestado. Fazer o quê, não resistiram...

 

Assista o desenho clicando aqui.



Escrito por Tuca Hernandes às 22h59
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MARATONA DE CINEMA

 

Tem dois cinemas aqui em São Paulo que promovem uma noite maluca pra gente doida. Explico. Uma vez por mês, abrem uma sessão que vai da meia noite até as seis da matina, com três filmes. O primeiro e o terceiro filme costumam ser pré-estréias, enquanto que o segundo é uma surpresa. Nessa sexta passada eu resolvi participar de uma dessas maratonas ao lado da minha querida namorada-cúmplice que, pra minha felicidade, é tão ou mais sem noção que eu. Seria uma vitória se eu ficasse acordado nos 30 minutos iniciais do primeiro filme, pensei. Afinal, tem sido rotina eu desmaiar de sono frente a qualquer filme legendado que assisto depois das 9 da noite.

 

Turbinado por um cafezinho expresso, até que pesquei pouco no primeiro filme, chamado “Transamérica”. Tratava-se de um drama com toques de humor bizarro, uma vez que falava sobre o relacionamento de um transexual com seu filho adolescente, recém-descoberto, saído de uma febem norte-americana, michê e traficante nas horas vagas. E assim, os dois iam se desentendendo, alguns dias antes do pai esquisitão se submeter à tão sonhada operação de troca de sexo. As gargalhadas ficaram por conta do choque entre o protagonista e a sua mãe, dessas típicas senhoras conservadoras americanas, tão patéticas e fúteis que chegam a quase desmaiar se descobrem um risco no vidro da mesa, por exemplo. Resumindo, eu recomendo. Nem que seja pra conferir a atriz que interpreta o transexual, fazendo com que muita gente acredite que o cara era um homem mesmo.

 

Antes do segundo filme, resolvi encarar um café expresso duplo. Afinal, já que eu estava ali, que meus olhos ficassem abertos até o início da manhã. Sendo assim, consegui ver o filme-surpresa, dando bastante risada daquele terror japonês bem tosco. Como entrei na sala depois dos créditos iniciais, não fiquei sabendo o nome do filme. Mas isso não fez falta. Muitos ali, como eu, deram risada dos momentos pretensamente assustadores, como quem acha graça em um episódio do Hermes e Renato. Eram as cenas de sempre, como a mocinha que entra sozinha num quarto, vai abrindo o armário, enquanto a trilha incidental vai indicando que algo sairá daquele fundo escuro e... pum! Valeu pela pouca requisição que fez aos meus neurônios. Um descanso.

 

Optei por não tomar mais café pra encarar o terceiro filme, evitando o risco de ter uma overdose de cafeína. Sei lá como seria isso, mas preferi não conferir com meus sentidos. Dessa vez, outra pré-estréia, e o meu cérebro já não conseguia acompanhar direito aquele roteiro cheio de gracinhas onde todos desconfiavam de todos. Sabe esses filmes que pretendem levar o espectador a dar uma de detetive, tentando associar um fato com outro? O nome do filme era “Xeque Mate”, onde o Bruce Willis, pra variar, fazia pela enésima vez o papel do durão de poucas palavras. Do que consegui ver, já com a percepção de um zumbi chapado, não gostei. Do roteiro metido a espertinho, a meia hora final se ocupou de ficar explicando todas as pistas e insinuações plantadas ao longo da história. Trama auto-explicativa demais pro meu gosto. Não deu vontade de revê-lo com os sentidos mais alertas, mesmo sabendo que, lá pelas cinco da madruga, qualquer episódio do Teletubies torna-se o drama sueco mais complicado e metafísico possível.

 

Corpo exausto, eu e minha namorada-cúmplice saímos do cinema com o sol já entrando nas pontas dos pés. Se consegui dormir depois? Mal, muito mal, pouquíssimas horas. Cafeína braba circulando na cachola. Bem, pelo menos não tive pesadelos com japoneses mortos-vivos. Nem com transexuais alucinados. E muito menos com o Bruce Willis me apontando uma arma. E você conseguiu chegar até aqui, nesse post longo? Parabéns, você sobreviveu a essa maratona.



Escrito por Tuca Hernandes às 22h39
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CHEGA DE FUTEBOL!

(ou “O Último Texto Sobre Esse Assunto Aqui”)

 

 

- Serjão, não quero mais saber de futebol. Pra mim, acabou.

- Eu também, se alguém me vier falar desse esporte, é capaz de eu vomitar na cara da pessoa.

- Esse assunto me dá nojo também. Ainda mais depois que quase morri após a nossa derrota para a França.

- Ah é? O que aconteceu?

- Por causa daquele jogo, perdi a fome, a vontade de viver, sabe? Fiquei quatro dias sem comer e beber, fechado no meu quarto, sem sair da cama. Minha família teve que me arrastar pra um hospital, para que eu recebesse alimentação através de soro na veia. Só voltei a comer ontem. Só ontem!

- Eu fui mais prático e radical. Logo que acabou o jogo, eu fui direto lá pra despensa de casa, louco pra tomar um porre de raticida. Eu ia acabar com tudo ali mesmo, sem frescura. Mas minha esposa agiu mais rápido, escondendo o frasco do veneno, pouco antes do juiz apitar o fim do jogo.

-Que azar, hein? Mas e agora? O que você vai fazer com essa tatuagem enorme nas suas costas, com a imagem do Ronaldinho Gaúcho, escrito “Hexa 2006” logo abaixo?

- Ah, nem pensei ainda. Sei lá... Mas e você? Não se arrependeu de ter batizado o seu filho recém-nascido de Roberto Cafu Carlos?

- Já subornei o cara lá do cartório. Mudei o nome do menino. Ele agora se chama Tiger Woods da Silva.

- Tiger Woods? Quem é esse cara?

- É um dos maiores jogadores de golfe da atualidade. Bate um bolão. Tem que ver. Depois da semana passada, futebol não existe mais pra mim. O negócio agora é golfe! Já disse, não quero saber de ninguém mais comentando sobre futebol perto de mim.

- Nem eu... se alguém vier com esse assunto, dou uma de Parreira. Finjo que não entendo nada. Mas e o resto, como vai? A sua mulher, as crianças...

- Vai tudo muito bem. Tão bem quanto o ataque da Itália. O Romário Zico já está começando a andar, tem que ver. E você? Alguma novidade?

- O meu emprego anda pior que o Corinthians. Tá um festival de cartão vermelho lá na empresa. Meio mundo sendo demitido. Você não faz idéia do tanto de problemas que eu tenho que driblar lá no dia a dia, pra escapar do rebaixamento.

- Você vai sair dessa, te conheço. Afinal, você é craque no que faz. Escapa de marcação melhor que um Zidane!

- Pois é... espero... o negócio é tocar a bola pra frente... Falando nisso, nem aquele joguinho das quartas-feiras você vai jogar mais?

- Tá doido? Já disse, futebol morreu pra mim. E nem me comece a falar sobre esse esporte, por favor. Nem se for pra comentar sobre pelada... Pelada, só se for de golfe!

- Pô, desculpa aí... bola fora...

- Concordo... gol contra...



Escrito por Tuca Hernandes às 21h01
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A VOLTA PRECOCE DELES

 

Como a maioria da humanidade, não tenho simpatia alguma por faróis vermelhos. Muito menos por aquele pessoal que vem limpar o vidro da frente do carro, sem a nossa permissão. Muitas vezes, consigo fazer com que desistam da idéia, gesticulando freneticamente, feito um Ronaldinho convulsivo na Copa de 98. Em outras ocasiões, sou surpreendido pelo esguicho daquela água turva com sabão que chega como um cuspe, lamentando ao observar o vai e vem do rodinho gasto a sujar ainda mais o vidro. Lamento ainda mais pelo autor da façanha, pois nunca deixo um centavo pelo serviço que não pedi. Só gasto moeda em farol quando algum malabarista faz por merecer com seus limões, em exibição digna de circo chinês. Ao contrário do Parreira, sou exigente, fazer o quê?

 

Pois bem, nessa época de Copa, notei que muitos limpadores de vidro resolveram faturar com o patriotismo óbvio desses dias, vendendo bandeirinhas do Brasil, dessas de se fixar no vidro do carro. Ou seja, para o meu alívio, aposentaram os seus rodinhos. E até o jogo contra a França, pareciam faturar bem. O meu pai, por exemplo, comprou quatro dessas bandeirinhas. Nesse tempo, no farol mais chato que conheço, aqui perto de casa, fiquei livre de ser incomodado pelos terroristas do esguicho, sem aquela tensão do sinal vermelho.

- Bandeira do Brasil aí, chefia?

- Não, valeu.

 

Claro que em breve, com o fim dos jogos da seleção, sendo ela campeã ou não, a empolgação verde e amarela iria passar. Mas bem que esse timinho bunda poderia me garantir uma semana a mais de alívio no farol vermelho. Não deu. Mas, daqui por diante, se vierem me vender a bandeirinha de Portugal, compro na hora, ora pois. Vai que é sua, Felipão!



Escrito por Tuca Hernandes às 23h28
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SHOW PARA COMEMORAR A ELIMINAÇÃO DA ARGENTINA (OU DA ALEMANHA)

Pra quem ainda não sabe, São Rock® é a banda da qual faço parte, desempenhando uma dupla função: a de vocalista e sex symbol.

 

O nosso próximo show será nessa sexta (30/06), às 22 horas, no Bar Brazuka, Rua Agostinho Cantú, 263 - Butantã, atrás do prédio da Johnson & Johnson na Marginal Pinheiros.

 

A entrada é só R$ 10,00. Valor de R$ 7,00 para quem tem carteirinha da FISP/FIAAM (sei lá que coisa é essa, mas é isso...)

 

Não tocaremos: todo aquele pessoalzinho que bate cartão no Gugu e Faustão (Jota Quest, Detonautas, CPM 22, Charlie Borwn Jr, Ivete Sangalo, Banda Calypso, etc.)

Tocaremos: o bom e velho rock´n roll (Beatles, Stones, Doors, Led Zepellin, etc)

 

Obs: não tocamos Raul também (tanto o Seixas quanto o Gil). Favor não insistir.



Escrito por Tuca Hernandes às 17h31
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EM DEFESA DO INESQUECÍVEL E DA MINHA CERVEJINHA

 

Tudo bem que o time do Brasil vem avançando com a eficiência de um funcionário do mês, Olodum comemorando pelas ladeiras. Mas continua a dever cenas que relembraríamos para sempre. Algo que arranque suspiros e sorrisos largos a cada replay, por anos a fio. Falta aquela jogada memorável de cinco em cinco minutos, como era de se esperar do quadrado mágico que joga quadrado mesmo, não redondo. Mas, como diz a regra, time que ganha, mesmo que feio, passa para a próxima fase. Com ninguém lá criando o inesquecível, até perco a sede daquela cervejinha que me acompanha nos jogos.

 

Continuando nesse padrão, do espetáculo ficar aprisionado no banco de reservas, essa Copa só vai se tornar memorável pra mim caso o Brasil chegue a uma final contra a Argentina, ganhando dela na prorrogação, com três gols contra. Todos do Tevez.

 

Aí sim. Entrarei em coma alcoólico de tanta cerveja que tomarei. E sem Engov.



Escrito por Tuca Hernandes às 14h11
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SOLUÇOS DA COPA – parte 6 de 6


A Certeza do "R"

Era o artilheiro em todos os times que jogava, das peladas de rua aos campeonatos do colégio. Mas não se tornou jogador de futebol por conta de uma lesão no joelho, que nunca mais foi o mesmo depois que um zagueiro o atropelou. Portanto, era compreensível que transferisse todas as suas expectativas para o seu único filho homem. Começou pelo nome, Roberto, afinal os melhores atacantes da seleção sempre tinham o nome iniciado pela letra “r”. Imaginava o Galvão Bueno, já velhinho, gritando “Rrrrrrrobertooooo!!!!”. Fotos com a camisa do Brasil e do Corinthians era o que mais tinha espalhado pela casa. Bolas então, de todas as cores e tamanho. A genética de craque já estava ali, a questão agora seria fazer uma grande imersão. “Vai Roberto, chuta!”. Mas, na primeira Copa em que o Roberto poderia compreender algo, da Alemanha em 2006, já com oito anos, o pai percebeu algo estranho, em desarmonia com aquelas expectativas que depositara no filho. O menino, ao invés de torcer pelo Brasil frente à TV, vibrando como quase todos ali, preferiu ficar brincando de boneca com as duas irmãs. Tudo bem, um dia ele despertaria, conformou-se o pai. Roberto titular na grande área, sem dúvidas, na Copa de 2022.


No Mundial de 2022, sediado no Iraque, lá estava Beto Light. Estilista da nova geração, foi convidado para participar de uma série de desfiles em homenagem à Copa do Mundo. A sua coleção foi elogiadíssima, um luuuuxo, toda em verde e amarelo, por motivos óbvios - Brasil rumo ao octa! E ele só via os jogos da seleção porque o seu namorado era fanático por futebol, só por causa disso. Por amor. E o pai, já conformado, ia se dedicando ao seu mais novo projeto: o moleque mais novo de uma de suas filhas, Ronildo. Agora vai. Rrrrrronildo na grande área, em 2038!



Escrito por Tuca Hernandes às 11h55
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SOLUÇOS DA COPA – parte 5 de 6

 

O Gerente de Vendas da Região Sudeste

Como tempo continuava sendo dinheiro, nada justificaria o cancelamento daquela reunião. E daí que fosse bem na hora do jogo do Brasil, final de Copa do Mundo? Agora ele tinha um cargo que sempre sonhara, gerente de vendas da região sudeste. Se a diretoria optara por aquele dia e horário, vamos lá, fazer o quê, negócios em primeiro lugar. Um dia antes, ele pensou em dizer que a reunião era rotineira, adiá-la não atrapalharia em nada o andamento da Empresa. Mas achou melhor ficar quieto, pegaria mal alegar um motivo tão fútil aos olhos de tão prestigiada Organização. O diretor executivo era o primeiro a dar exemplo: meses antes, nem fora ao enterro da mãe, pois tinha que fazer um relatório para a matriz sobre as projeções do trimestre seguinte. Pois é, o caminho para o sucesso tinha dessas coisas. Provavelmente, o primeiro slide, que mostrava o balanço parcial do mês, coincidiu com o apito inicial do juiz. Mas ele, o gerente de vendas da região sudeste, conseguiu ficar apenas uns quinze minutos naquele recinto. Saiu da sala afrouxando a gravata e abrindo a sóbria camisa azul-carmin, revelando a camisa da seleção que trazia colada ao corpo. Parecia a transição do Clark Kent para o Super-Homem. Que o demitissem, ora essa. Ao boteco com TV e avante!

 

Todos ali, enquanto apertavam suas gravatas, concordaram que a Empresa precisaria de um novo gerente de vendas da região sudeste. Afinal, a filosofia da matriz só comportava profissionais que vestissem a camisa da Empresa. Só da Empresa!



Escrito por Tuca Hernandes às 22h28
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SOLUÇOS DA COPA – parte 4 de 6

 

O Cão dos Freitas

Da metade do tronco pra cabeça, tingido de verde. O resto, amarelo. Dessa forma, Willie, o poodle metrossexual da família Freitas, se apresentava à torcida pra-frente-Brasil-vamos-lá. Olhando um pouco mais de perto, notavam-se também as unhas pintadas, alternadas entre o verde e amarelo. Até a ração desses dias era especial, que, segundo a mensagem da embalagem, tinha um “gostinho de Brasil” por causa dos grãos que vinham nas cores de nossa bandeira. Por conta de um intenso adestramento, se alguém dissesse “Brasil”, ficava de pé. Se “Argentina”, rosnava.

Nessa Copa, foi encontrado morto no fundo do quintal, horas depois de mais uma vitória do Brasil. Segundo o veterinário, a causa mortis fora um ataque cardíaco. Emoção demais. Os Freitas concordaram de imediato, alegando, entre lágrimas, que o Willie era um patriota, sofrera muito com o jogo difícil da seleção, que ainda tinha muito a melhorar, mas muito mesmo. O veterinário ia continuar, dizendo que, na verdade, o ataque cardíaco se dera por causa do susto constante causado pelo barulho dos fogos de artifício. Que nessas ocasiões festivas, óbito por causa disso é a coisa mais comum, sobretudo nos cães cardíacos, como era o caso do Willie. E outra, pros cachorros tanto faz se no mundo existe pátria ou futebol. Mas preferiu ficar quieto. Deixa pra lá. Bola pra frente.



Escrito por Tuca Hernandes às 21h32
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SOLUÇOS DA COPA – parte 3 de 6

 

A Lei de Gerson

Apesar de ter nascido no dia da final de 1970, e o seu nome ser Gerson, em homenagem a um dos jogadores campeões daquele ano, odiava a Copa do Mundo. Nunca entendeu aquele patriotismo todo, como um ateu convicto que repudia a época do Natal. Discordava quando alguém argumentava que era questão de orgulho nacional, pelo menos em algo éramos primeiro mundo. Ele alegava que isso era insuficiente, afinal eu ou você ganhávamos alguma porcentagem sobre o que os jogadores recebiam lá no exterior? Não, nenhum centavo de euro. E, além do mais, que graça tinha aquele jogo onde onze homens de cada lado ficam correndo atrás de uma bola? Nenhuma. Pra ele, bom mesmo era jogar xadrez, isso sim. No xadrez, só os de neurônios privilegiados triunfam, não panacas que sabem chutar uma bola, afirmava. Odiava o futebol até por questões musicais, uma vez que quase todos os jogadores eram chegados num pagode. Nunca tinha visto um que gostasse de ópera, como ele. E assim, em todas as Copas, enquanto o Brasil estava em campo, ele aproveitava a ocasião para jogar xadrez, ouvindo ópera. Ótimo. Pena que nunca tenha conseguido encontrar alguém disposto a acompanhá-lo.

 

Povinho alienado!



Escrito por Tuca Hernandes às 09h17
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