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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos
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FOFOJESTE

 

- Rapaz, me ajuda! Agora, ferrou de vez!

- Calma. Se ajeite na cadeira aí, peça um chopp e relaxe. O que aconteceu?

- Não tem mais jeito, justo eu? Ela tinha que fazer isso comigo? Durante todo esse tempo, e eu nem desconfiava.

- Ela quem?

- Sabe aquela amiga da minha prima? Aquela que eu estou a fim?

- Aquela que é, segundo você, a mulher da sua vida? Que há meses te acompanha no cinema, jantares, conversa horas e horas com você, mas diz estar apaixonada por um outro que não tem nada a ver com você?

- Exatamente.

- Sei... O que de tão grave aconteceu? Já sei, ela acabou ficando com aquele cara na sua frente, é isso?

- Não, ainda não. Mas foi coisa grave mesmo. Gravíssima. Não poderia ter acontecido algo pior. Sabe do que ela me chamou?

- Corno? Broxa? Boiola?

- Não.

- Corintiano?

- Não, pior. Bem pior! Ela me chamou... de... de...

- Fica com vergonha não. Sou seu amigo, não sou? Diz aí.

- Ela me chamou... de... fofo!!!

- Ah, não esquenta, você só está um pouco acima do peso. Deixa essa vaidade de lado e...

- Não é isso. Me chamou de fofo no sentido de bonzinho! Ontem, ao se despedir de mim, ela disse: “Você é um fofo, sabia? Cara mais sensível que você não existe! Um cavalheiro!”

- Ui! Essa doeu...

- Pois é, e agora? Essa mulher me acha um fofo, ou seja, um ser assexuado. Uma ameba! Me fez sentir feito esses bonecos pra brincar de casinha, sem nada no lugar do pinto.

- Pera lá, você está exagerando.

- Que nada, quando uma mulher te chama de fofo, saiba que jamais passará pela cabeça dela a idéia de ter algo a mais com você. Ela só vai querer a sua amizade, nada mais. Sexualmente falando, ela vai te achar tão interessante quanto o cabeleireiro afrescalhado dela. Amigão, me ajuda a reverter isso???

- Como?

- Dando conselhos, afinal você é o cara mais cafajeste que conheço. Mulher adora o seu tipo.

- Alto lá! Cafajeste não, meu amigo! Nunca fui isso.

- Como não? Por onde você passa, a mulherada vive caindo no seu papo. E quanto mais você fica com elas na frente de outras, mais afim de você elas parecem ficar.

- Mas isso não quer dizer que sou cafajeste... Ok, tudo bem... vou contar pra você o meu segredo, mas já vou avisando, não será de uma hora pra outra que você dominará essa técnica, tem que ter bastante disciplina e garra.

- Ok.

- É o seguinte, você tem que ser fofojeste.

- Fofojeste?

- Isso mesmo, uma mistura de fofo com cafajeste. É só conservar o lado bom dos dois comportamentos e uni-los numa pessoa só.

- Interessante...

- Se o lado cafajeste queima a mulher, o lado fofo vem socorrer pra apagar o incêndio e assoprar com carinho a ferida. Se o lado fofo começa a deixar a coisa muito doce, o lado cafajeste joga uma pimenta pra equilibrar e, quem sabe, deixar a coisa quente. Compreendeu?

- Você é um gênio! Como eu não tinha pensado nisso? Tão simples assim?

- Nem tanto. Pra colocar em prática, é preciso ter experiência nas duas coisas. Separadamente.

- Então quer dizer que durante um tempo eu tenho que agir como um autêntico... cafajeste?

- Exatamente. Como se fosse um estágio. Toda especialização precisa disso, uma prática. Todo profissional tem que ter uma vivência considerável em cada matéria que lhe é de direito.

- Falou tudo.

- Então, meu caro. No lado fofo você já é doutor com louvor. Resta agora mergulhar na cafajestologia. E nada melhor do que começar com a sua amiguinha que te chamou de fofo.

- Justo com ela?

- Sim, qual o problema?

- Não pode ser com outra? Sempre fui sincero com ela. Os pais dela gostam bastante de mim. E eu respeito muito os sentimentos dela, longe de mim querer magoá-la. O mínimo que ela merece nessa vida é carinho, atenção, consideração, afeto...

- Ihhhh...



Escrito por Tuca Hernandes às 11h37
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É CHATO SER CHATO

 

Uma de minhas grandes frustrações é não gostar de axé, pagode e sertanejo, gêneros sempre lá no pódio da tal preferência nacional. Sinceramente, sem sarcasmo algum no que vem escrito a seguir, invejo quem constantemente se identifica com a opinião da grande maioria. Afinal, esses afortunados facilmente encontram outras pessoas com o mesmo gosto, pontos em comum, chegando perto de ter um milhão de amigos e bem mais forte poderem cantar, enquanto fazem a dança da ondinha, felizes e sem frescuras. Mas, infelizmente, os acordes dessas músicas continuam chegando a mim como se fossem as trombetas do apocalipse, música de espera do inferno.

 

E desde que passei a ouvir determinadas rádios on line, dessas que só existem pela internet, sem pressão de gravadoras para tocar isso ou aquilo porque meia dúzia de entendidos decidiu que é popular, a situação só piorou pro meu lado: fiquei mais distante ainda do gosto comum à maioria. Nem Beatles ou Stones, antigos heróis meus, me convencem mais. MPB então, nem se fala, nem se ouve. Tudo com um gosto de mesmice mal passada. E o que temos de novo no cardápio? No momento, não consigo deixar de ouvir “Black Keys”, “Razorlight”, “Brendan Benson”, “Ben Folds Five”, “John Spencer Blues Explosion”, "The Redwalls", "The Blue Van", dentre outros.

 

Hein? Quem? Onde? Como?

 

Calma, são bandas aqui da Terra mesmo, mas nunca tocaram em rádios daqui, nem tocarão, suponho eu. A não ser que entrem na trilha sonora de alguma novela da Globo, pra variar. Se fazem as melhores músicas que existem no momento? Pros meus ouvidos, hit parade particular, sim. Pra audição de outros, independente da classe social, nível de escolaridade, etc, decerto que serão coisas tão pavorosas quanto som de peido alheio, provocando a mesma repulsa que sinto ao ouvir um pagode-mela-cueca qualquer. No mais, fica o azar de meu gosto atual estar na improbabilidade de figurar entre os 1000 mais de qualquer parada.

 

Portanto, não ficaria incomodado se um dia eu acordasse louco pra ouvir um “Bruno e Marrone”, por exemplo. E, por tabela, que eu desse gargalhadas com o Zorra Total, me emocionasse chorando ao ver as reportagens apelativas que o Gugu apresenta no Domingo Legal, achasse o máximo da sabedoria toda a obra do Paulo Coelho, e por aí vai. Afinal, deve ser bem mais fácil curtir a vida sem a mania de se interessar freqüentemente pelo que é desconhecido, mais sintonizado com o que existe no topo do Ibope. E o meu fígado agradeceria, já que eu não teria que beber umas e outras pra encarar sem dramas uma Ivete Sangalo. Musicalmente falando, é claro.



Escrito por Tuca Hernandes às 08h46
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LIBERAIS EM CRISE

 

- Meu bem, precisamos conversar.

- Sim, estou aqui. Sou toda sua, principalmente ouvidos.

- É sobre a nossa relação. Sabe, esse negócio de ter um relacionamento aberto...

- Qual o problema? Começamos isso há mais de dois anos e acredito que estamos indo muito bem.

- Só se for pro seu lado...

- Ah não... Não me diga que... Você está com ciúmes! Isso! Sentimento de posse!

- Não é isso.

- Ué, o que poderia ser então? Se você ainda não se importa que eu saia com outros caras, desde que não seja público e na sua frente, como combinado...

- O problema é que, desde que comecei a namorar com você, não saí com mais ninguém, além de você...

- O QUÊ??? NÃO ACREDITO!!!

- É verdade. Sobre todas aquelas mulheres que tive nesse tempo? Tudo mentira. Não fiquei com nenhuma.

- Estou chocada! PERPLEXA! Mas nem uns beijinhos, uns amassos?

- Nada de nada.

- Mas porque? Eu te dei liberdade também. Você estava livre pra fazer o que bem quisesse quando não estivesse ao meu lado.

- Eu sei, eu sei... Acontece que, simplesmente, não consigo arranjar ninguém...

- Meu bem, eu já disse que o conceito de fidelidade é relativo. Não se prenda à essas convenções que essa sociedade retrógrada e hipócrita nos impõe.

- Não é isso. Continuo concordando com você. Não arranjo ninguém por incompetência mesmo. Eu até que tento, mas sei lá, mulher alguma, além de você, quer ficar comigo. Ninguém quer ter um caso comigo, compreende?

- Estranho isso...

- Pois é. E sabe o que falaram pra mim uma vez? Que, ao saber que você aceitaria a situação, perderia a graça. Não teria emoção, aquele tesão de estar fazendo algo proibido. E, sei lá, não sei mais conquistar uma mulher. Perdi o jeito. Agora você...

- O que tem eu?

- Você arranja um novo caso a cada semana. Tudo bem, é um direito seu. Fico feliz que esteja vivendo a sua liberdade. Fico mesmo. Mas me incomoda estar em desvantagem. Com quantos você saiu desde que decidimos ter um relacionamento aberto?

- Ih, até perdi a conta...

- Tá vendo? Pra mulher é sempre mais fácil arranjar gente pra essas coisas... Agora, comigo, vou te contar. Pra ser um desses caras que são sempre escolhidos pra uma relação de uma só tarde no motel, sem grilos afetivos, o homem tem que ser bonito, musculoso, inteligente, engraçado, perfumado, rico, autoconfiante, cara de pau, atencioso, sexy, etc e tal...

- Discordo de você...

- No quê?

- Ora, os caras com quem saio não precisam ser necessariamente inteligentes ou engraçados. Deles, só quero o corpinho, meu bem.

- Olha aí, ta vendo? Pior ainda. Fica mais fácil ainda pra você se dar bem. Agora, eu, um completo fiasco, nem um casinho sequer. Precisamos rever essa nossa condição... Não é justo só você se divertir.

- E o que você propõe? Deixarmos de ter um relacionamento aberto por isso?

- Sim...

- Mas nem pensar! Se vira, meu filho! Eu hein? E outra coisa, percebo agora que esse nosso relacionamento nem era tão aberto assim.

- Como não?

- Ora essa, em um relacionamento aberto as pessoas não mentem sobre sua vida sexual. E você mentiu! Durante todo esse tempo você me enganou! Você, na verdade, não saiu com ninguém! NINGUÉM! Seu hipócrita! Quebrou minha confiança!!! Traidor!

- Me perdoe, por favor... Olha, tudo bem. Vamos continuar como estava, ok?

- Vou pensar. Vou pensar...

- Vem cá, você até que poderia me ajudar a arranjar alguém, não? E, já que é pra haver sinceridade entre nós, vou te confessar algo: tenho alguém em vista. E você a conhece, tem intimidade com ela... Quer me ajudar com ela?

- Ela quem?

- A sua irmã... poxa vida, sempre achei sua irmã uma gracinha. E ela fazendo faculdade agora, sabe como é, deve estar bem mais liberal e....

- ÔPA!!! Alto lá! Minha irmã, não! A minha irmã, não!!! Seu pervertido!!!



Escrito por Tuca Hernandes às 15h08
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